Design, estratégia & Inovação

A primeira definição de design foi realizada em 1959 e considerava que um designer industrial é aquele qualificado por formação, conhecimentos técnicos, experiência e sensibilidade visual para determinar os materiais, mecanismos, forma, cor, acabamentos de superfície e decoração de objetos que são reproduzidos em quantidade por processos industriais (ICSID, 2016).

Aliás, você ainda acha que esta é a principal atribuição dos designers na contemporaneidade?

Nigel Cross (2001) defende que o design tem uma maneira específica de pensar, conhecer e agir, que o autor denomina de “designerly ways of knowing” ou “modo de pensar por projetos”. Esse modo de buscar conhecimento através da lente de pensar por projetos é uma forma intuitiva de raciocínio que os designers (e os projetistas em geral) inerentemente possuem ou que eles desenvolveram através da educação. Todavia, os designers experientes abordam os problemas de projeto de uma forma proativa. Isso porque as representações mentais que eles conseguem estabelecer são mais detalhadas e contemplam mais interonexões entre as informações relevantes ao problema e os conhecimentos prévios do designer. 

Nos últimos anos, a definição de design começou a incluir a questão da HUMANIZAÇÃO DAS TECNOLOGIAS e uma forte orientação para a noção de sistema estratégico visando a inovação e o bem estar social através de práticas mais sustentáveis:

O Design é um processo estratégico de resolução de problemas que impulsiona a inovação, constrói o sucesso dos negócios e leva a uma melhor qualidade de vida por meio de produtos, sistemas, serviços e experiências inovadores.

Design Definition | World Design Organization: https://wdo.org/about/definition/

Aqui podemos destacar uma mudança fundamental que também que atravessa a pesquisa contemporânea em design: partimos de uma cultura de produtos industriais para uma cultura de processos. O design hoje precisa atuar na complexidade e, para tanto, é preciso dispor de processos estruturados com o objetivo de obter soluções integradas (produto, serviço, comunicação e experiência) capazes de oferecer significados relevantes para a sociedade contemporânea: isso é Design Estratégico

Portanto, o resultado desse mix de produtos, serviços, comunicação e pessoas, quando concebido para atender as necessidades específicas de uma determinada organização, é o que podemos chamar de sistema-produto (PRODUCT-SERVICE SYSTEM | PSS).

Sistema-Produto Serviço desenvolvido para o conglomerado de empresas de Tecnologia da Informação “BeeBrazil”.

Design Estratégico é uma abordagem responsável por conectar e articular diferentes tipos de saberes cocriando um ecossistema de produtos, serviços e comunicação (Sistema Produto-Serviço PSS) com a qual uma organização se apresenta ao mercado, se coloca na sociedade e dá forma a própria estratégia. 

Francesco Zurlo

✔️ Talvez você precise redesenhar a sua proposta de valor e saber EXATAMENTE como vender o seu sistema/esteira/teia atendendo desejos e necessidades.

Para Baudrillard (2007), nunca se consome o objeto em si (no seu valor de uso), os objetos manipulam-se sempre como símbolos que distinguem os indivíduos uns aos outros. Dessa forma, os bens são investidos de valores socialmente utilizados para expressar categorias e princípios, cultivar ideais, fixar e sustentar estilos de vida, enfrentar mudanças ou criar permanências. 

Já sabemos que o modo de pensar através do design pode auxiliar as empresas em um outro tipo de inovação, aquele que considera uma profunda compreensão do ser humano criando valor:

Historicamente as inovações oferecidas pelas empresas se concentraram em fornecer cada vez mais eficiência através da racionalização de suas operações táticas e de ofertas estratégicas (KUMAR V. , 2009). Nesse contexto, as novas tecnologias e a modelagem de negócios são os principais fatores para alavancar este tipo de inovação. Entretanto, à medida que um número maior de organizações passa a adotar essas melhores práticas em inovação é preciso mudar o foco para se manter competitivo.

Uns acreditam que as mudanças são motivadas por fatores externos. Para estas pessoas, o futuro é algo provável — É evidente que algo vai acontecer; ou possível — talvez aconteça e é marcado pela incerteza. Mas existe um terceiro futuro, o desejável, um espaço inexplorado, e com criatividade, engenhosidade e empreendedorismo podemos moldá-lo com ideias, conceitos e realidades.

O artigo Design estratégico a partir do futuro está localizado em http://hbrbr.com.br/design-estrategico-partir-do-futuro/. Harvard Business Review Brasil http://hbrbr.com.br

VOCÊ! Em uma sociedade onde a possibilidade de projetar passou a ser acessível a muitos, designers especialistas e difusos têm participado ativamente dos processos de projeto, de transformação e de descoberta (MANZINI, 2015):

  • Os designers especialistas fazem parte desse processo como atores internos (pessoas) e externos (facilitadores) promovendo mudanças significativas quando eles criam condições para a atuação de todos.
  • Os designers difusos são as pessoas imersas na vida cotidiana que fazem parte de inúmeras conversações e redes reais/virtuais atuando em diversos papéis sociais. A partir do seu ponto de vista, o sujeito realiza uma bricolagem: procura materiais disponíveis ao seu redor (produtos e serviços, mas também ideias e conhecimentos) e assim adapta, reinterpreta e os utiliza para construir o seu projeto de vida 

MAS… COMO PROJETAR esses FUTUROS?

“Na minha cabeça isso que fizemos aqui hoje é um filme que já estava pronto. Isso mostrou que a nossa capacidade não tem limites e não me permitiu acomodação” (PROTAGONISTAS, 2019). 

 Você já participou de um workshop, oficina ou prática de cocriação?

Uma Oficina/Workshop de cocriação de MEMÓRIAS DO FUTURO pode proporcionar:

  • a aquisição de uma “memória futura” compartilhada entre os atores envolvidos em uma determinada organização.
  • o conhecimento sobre os processos a serem empreendidos em um futuro próximo é otimizado entre os colaboradores.
  • o estímulo ao senso coletivo de protagonismo e de responsabilidade.  
  • uma simulação sobre os desafios a serem enfrentados pela rede durante o percurso. A aquisição de memórias (episódicas ou semânticas) pode interferir em nossa maneira de perceber o mundo e em nossas decisões (IZQUIERDO, 2018). 
  • O SIGNIFICADO DO SEU NEGÓCIO: a construção de histórias multidimensionais (atores, trama, trajetória e evidências) atua como um mecanismo de produção de sentido na aquisição de memórias e emoções vividas. Cabe destacar que o processo de construção de cenários pode incorporar o conhecimento tácito, aquele que é carregado de ideais, emoções e valores, sendo mais difícil de formalizar em palavras, números ou sons.